23/07/2016 - Atualizado em 23/07/2016 as 19h48

Teresina

A escola tomou a iniciativa depois de receber o projeto MundoMaker que está fazendo uma expedição pelo Brasil

 

Por Julimar Silva

Durante dois dias, a Escola Municipal Profº Marcílio Flávio Rangel de Farías, localizada na comunidade Vila Santa Bárbara na Zona Leste da capital piauiense, recebeu o projeto MundoMaker. As atividades foram desenvolvidas na última sexta feira (22), finalizando neste sábado (23).

No primeiro dia de experiências, educadores da unidade de ensino participaram de formação para aprenderem a trabalhar com uma nova pedagogia em que os estudantes são levados à construção do conhecimento a partir de atividades práticas. O projeto inverte a lógica da aprendizagem, tornando o processo mais prazeroso para professores e alunos. A professora Débora Moura Fé, vivenciou o dia de formação e descreveu o que sentiu ao participar.

“A formação que a gente teve foi para mostrar que fazer educação de uma forma mais lúdica, divertida e interessante a é possível. Eles mostram que é possível a gente fazer com material reciclável, um jogo, uma atividade, e é possível aprender fazendo, não só jogar a teoria para o aluno. Eles deram um desafio pra a gente de fazer um boneco. Deram um material e a gente não sabia como fazer. A gente perguntava e eles diziam não sei. Quando a gente passa uma atividade a gente quer dar a resposta logo, a gente não quer esperar o aluno pensar. A gente tem que fazer eles chegarem na resposta”, ressaltou a professora Débora.

No segundo e último dia, as atividades foram voltadas para estudantes, crianças e adolescentes de 09 a 15 anos. Todos foram levados a trabalharem em equipe, compartilhando através de dinâmicas o que aprendiam a cada momento em cinco oficinas. A partir do uso de garrafas plásticas de refrigerante, os alunos produziram paraquedas, que foram testados através de uma bomba de ar comprimido; em outra oficina os alunos utilizavam um robô que era guiado a partir da codificação de cores. Neste experimento, era preciso identificar as cores para poder fazer com que o robô pudesse seguir uma determinada trilha. Outros estudantes a partir da mesma pista resolveram construir uma cidade; uma terceira oficina permitiu que através do uso de um programa de computador e de uma placa Arduíno os meninos e meninas aprendessem a fazer com que um boneco mexesse os olhos ou abrisse a boca por meio dos comandos fornecidos; E em outro grupo, os alunos tiveram acesso a dois Notebooks. Com eles e um programa de computador puderam trabalhar com animações em 3D (três dimensões). Foi possível criar nomes e desenhos, dicionar vários tipos de cores e formatos. As alunas Francisca Manoele e Gleiciane Silva deram suas impressões sobre a participação nas oficinas.

“Nós demos vida para o boneco, nós fizemos ele mexer os olhos. Nós fizemos a tecnologia para ele falar, para ele mexer a boca, pra mexer a sobrancelha, pra fazer isso tudo, eu achei muito bom”, disse Francisca Manoele.

“Eu achei muito legal, porque eu aprendi muitas coisas, que eu não imaginava que eu ia aprender” disse Gleiciane Silva.

Os educadores do MundoMaker Carlos Eduardo Braga (Kadu) e Lia Aflalo, lembram que a pedagogia socrática valoriza a capacidade dos estudantes de conseguirem encontrar as respostas para as questões. Pois segundo eles, fazer as perguntas certas, faz toda a diferença.

“A gente busca coisas que sejam despertadas por eles mesmos né. A gente como educadora vai mediando, mas eles escolhem o caminho. A gente busca não dar muitas respostas e deixar surgir deles, o interesse em construir. A construção de conhecimento, quando parte de dentro para fora, ela desperta um interesse muito maior neles. Acredito que é importante trazer essa prática para dentro das escolas”, explica Lia Aflalo.

“A gente solta na mão deles, e tudo bem se der errado. Porque se der errado faz parte do processo. O erro tem que parar de ser visto como fracasso. Porque o erro é o que possibilita o acerto. Então se você olha o erro como fracasso e pune ele, tá tudo errado. Provavelmente elas vão errar bastante, e elas vão aprender bastante, e elas vão começar a acertar, e começar a acertar, e não é uma coisa que eu ensinei, peguei na mão e elas estão mexendo. É um processo meu como educador saber sair, parar de ser o mestre do conhecimento. A resposta para uma educação melhor já existe em cada educador. Se você fizer boas perguntas, a resposta está em todo mundo”, ressalta Kadu.

O MundoMaker é uma empresa sediada em São Paulo-SP e atua em quatro áreas. A primeira na sede própria, onde são realizadas oficinas que são pagas; em outra frente, a empresa atua junto a escolas particulares, seja levando educadores, consultoria ou formação de professores, serviço que é remunerado; uma terceira ação é desenvolvida junto a empresas em que são realizados treinamentos para despertar lideranças e formação de equipes. Esta também é uma ação remunerada; e por último, vem o braço social, em que as atividades são levadas a espaços públicos, escolas públicas, organizações ONGs (Organizações não governamentais), com atividades gratuitas. Neste caso, os integrantes do projeto buscam financiamentos, seja junto a empresas ou financiamento coletivo, como é o caso da expedição que está sendo desenvolvida.

A expedição MundoMaker está percorridos 13 cidades do Brasil, motivada a partir de um convite recebido para participar IDDS Amazon (International Design Development Summit – Movimento internacional para o desenvolvimento social e design) organizado pelo D-LAB, departamento do MIT, em que 40 participantes trabalham com as comunidades locais para encontrar soluções inovadoras e assim resolver problemas e melhorar a qualidade de vida dessas comunidades. Quando a expedição terminar, terão sido percorridos mais de 8.000.000 Km, terão sido atendidas mais de 2 mil crianças e mais de 400 professores.

Fábio Zsigmond um dos idealizadores do MundoMaker reforça que a educação precisa de um outro olhar. “A prática sempre vem antes da teoria. Você precisa inverter o olhar, invés de sair do currículo para atingir o aluno, você sai do aluno e chega no currículo, que é sutil, mas faz toda a diferença. Porque você entende quais são as necessidades desse aluno e consegue fazer com que o caminho de aprendizagem dele, seja significativo. Nós temos um grupo de 40 jovens que estão em diversas áreas atuando com a gente, aqui nós estamos com um grupo de 12, o restante está em São Paulo trabalhando as atividades lá. Então a gente leva um projeto em que a escola consegue pensar uma transformação, suave, através a introdução da criatividade em paralelo com que a escola faz” explica Fábio.

Em Teresina aproximadamente 68 educadores e mais de 80 alunos participaram das atividades desenvolvidas pelo projeto MundoMaker na Escola Profº Marcílio Flávio Rangel de Farías. Na sexta feira (22) foram realizadas oficinas de aprofundamento com os educadores e experimentação criativa. E durante a manhã deste sábado (23) aconteceu uma experimentação aberta que contou com estudantes da Escola Municipal Maria do Socorro Pereira da Silva, do Bairro Esplanada, na Zona Sul de Teresina. O diretor Afonso Flávio falou da honra em participar das atividades na Escola Profº Marcílio Rangel.

“Felizmente a nossa escola foi uma das convidadas a participar dessa atividade que é muito importante para professor e aluno. Os professores têm experiência de atividades práticas que podem aplicar com os alunos, melhorando no processo de ensino aprendizagem”, agradece o diretor Afonso Flávio.

O diretor da Escola Profº Marcílio Flávio Rangel Farias, Washington Cavalcante e a diretora adjunta Janaína Moura, falaram à nossa reportagem e ressaltaram a importância de ser a única escola da capital a receber o projeto que abre um mundo novo de possibilidades no campo da educação.

“A gente tá percebendo o quanto é interessante a educação alindo prática e teoria. A gente ficou magnífico em observar como os professores interagiram. Botando a mão na massa, utilizando a teoria e a prática ao mesmo tempo, isso é muito bom para a escola. Ele está mostrando que é possível com as ferramentas simples que a gente tem na escola trabalhar de uma forma criativa”, lembra Washington Cavalcante.

“Nos possibilita estar melhorando o processo de ensino aprendizagem de nossas crianças, que eles consideram aprendizagem criativa. Isso é fascinante quando você coloca para as crianças a teoria através da prática. Tanto para nós professores, como para as crianças, vai ficar esse legado para o resto da vida. A Escola Marcílio Rangel a partir de hoje, ela vai ter uma nova perspectiva com certeza. É a única escola do Piauí que recebe o projeto MundoMaker, por que eles estão fazendo uma rota por três estados e passaram por nossa escola fazendo com que tudo isso fosse vivenciado pelas crianças e por nós professores e por todo mundo que está aqui” conta Janaína Moura.

No encerramento das atividades e em meio a um clima de agradecimentos e cumprimentos pelo sucesso das ações desenvolvidas, o diretor Washington Cavalcante, parabenizou pelo esforço e iniciativa da diretora adjunta Janaína Moura que sugeriu a ideia de trazer a equipe de educadores MundoMaker à escola, agradeceu aos integrantes do projeto e surpreendeu a todos, afirmando que no planejamento da Escola Profº Marcílio Rangel do mês de agosto, vai sugerir o “Espaço Maker – Mão na Massa”.

“Eu como diretor desta escola, vou fazer com que isso crie frutos. Nós estaremos colocando em nosso planejamento de agosto, o -Espaço Maker Mão na Massa. Enquanto nós estivermos na escola, nós vamos estar agregando este espaço para os nossos alunos. Nós vamos ser a partir de agora o precursor de uma educação diferenciada no município de Teresina”, finalizou o diretor.

De Teresina as próximas cidades que estão no roteiro da expedição do projeto MundoMaker nos próximos dias 25 e 26 de julho – Sobral/CE; de 29 de julho a 01 de agosto – Fortaleza/CE; De 04 a 05 de agosto – Juazeiro do Norte/CE; Entre 09 e 11 de agosto – Lençóis/BA; Em seguida de 15 a 17 de agosto – Itaporanga/BA; De 19 a 20 de agosto – Caraíva/BA; e entre 23 e 25 de agosto – Itabira/MG.



Deixe seu comentário: